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Os primeiros sebos surgiram na Europa do século XVI, quando os mercadores, começaram a vender a pesquisadores papirus e documentos importantes da época. Segundo o historiador Leonardo Dantas Silva, estes mascates eram chamados alfarrabistas, nome que os acompanha até hoje em paises como a França e Bélgica, onde a atividade dos sebistas é considerada essencial para historiadores e pesquisadores em geral. Sebo tornou-se no Brasil, apesar de algumas objeções, a forma vulgarizada para designar livraria onde se vendem livros usados e raros. O local pode ser também uma banca de jornal, ou simplesmente, um calçadão, ou ainda um endereço na internet. Para Aurelio Buarque de Holanda, Novo Dicionário da Lingua Portuguesa, Nova Fronteira, segunda edição, 1986, sebo é a livraria onde se vendem livros usados e tem como equivalente, caga-sebo. Raimundo Magalhães Junior, Dicionário de Provérbios e Curiosidades, segunda edição, Cultrix, 1974, designa não o local, mas o vendedor: 'caga-sebo era, no século passado, o nome que se dava aos vendedores de livros usados. As livrarias em que são vendidos volumes de segunda mão são ainda, hoje, chamadas sebo, mas os vendedores passaram a ser sebistas...'. Assim, também é a interpretação de Cândido de Figueiredo, Dicionário de Língua Portuguesa, primeira edição, vol. II, Livraria Bertrand, que define sebo como alfarrabista, o mesmo que caga-sebo. Melquisedec pastor do nascimento, nome que se tornou sinônimo de livros usados não só em Pernambuco, como no exterior, não gosta de ser chamado de sebista, por achar que a palavra deprecia a profissão, que para ele é tão nobre. Ele se define como un vendedor de livros usados e alfineta: se fosse para chamar assim, deveria ser 'caga-sebo', (denominação original) pois 'sebo'é apenas uma variação, uma questão eufemística, da expressão inicial, lembrando que o professor de literatura de Belo Horizonte, Eduardo Frieiro, preferia a denominação 'livro-velheiro' (Diario de Pernambuco, 5-12-87, caderno 'Viver', seção B pag.11, artigo de Terezinha Pasqualotto, 'Há 50 anos Melquisedec vê a vida passar entre os seus velhos livros.'). O nome sebo vem do tempo em que não havia ainda energia elétrica e as pessoas liam à luz de velas amarelentas, sujando e engordurando os livros. Daí veio o termo ensebado, sebento.
Trecho extraído do livro 'Guia dos sebos do Brasil' com autorização do autor, Jorge Brito. A obra referida é uma guia muito bem planejada dos principais sebos do Brasil, um guia de viagem para a aventura do 'seboso' (assim é chamado o cliente do sebo).
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